Os principais conceitos sobre a crise asmática severa

Tempo de leitura: 5 minutos

pulmão crise asmática

A crise asmática severa é uma doença que registra dois milhões de visitas por ano em emergências, segundo Dr. Marco Antônio Soares Reis. Destes pacientes, cerca de 3% necessitam de intubação e ventilação mecânica. “Há registros de 6 mil mortes por ano em decorrência da crise asmática”, diz.

Sendo assim, veja abaixo as respostas às principais dúvidas sobre a crise asmática severa.

Quando é a progressão da crise asmática severa é considerada lenta?

A progressão lenta é caracterizada por deterioração após seis horas e representa de 80 a 90% dos casos de crise asmática, sendo desencadeada por infecção. Nestes casos, a resposta é mais lenta, além da obstrução ser menos grave e da inflamação ser predominante.

Quando a progressão é considera rápida?

A progressão rápida é caracterizada pela deterioração em menos de seis horas. Representa de 10 a 20% dos casos de asma, sendo desencadeada por alérgenos, exercícios e estresse. Nestes casos, a obstrução é mais grave e a resposta é rápida e broncoespástica.

Quais são as escalas de gravidade da crise asmática?

A crise asmática é classificada de leve a moderada quando Pico de Fluxo Expiratório (PFE) é maior que 50%, o estado mental do paciente é normal, a frequência cardíaca é menor que 110, SpO2 é maior que 95% e quando há ausência do uso de musculatura acessória.

Em contrapartida, a crise asmática é considera grave quando o PFE é de 30 a 50%, estado mental é normal, a frequência cardíaca é maior que 110, SpO2 de 91 a 95% e o uso de musculatura acessória é moderado. 

Já a crise asmática muito grave acontece em pacientes que apresentam PFE inferior a 30%, agitação, frequência cardíaca maior que 140, SpO2 menor que 90% e uso de musculatura acessória acentuado.

Quais são os objetivos terapêuticos do tratamento?

O tratamento da crise asmática severa tem o objetivo de tratar a infecção respiratória, se presente. Além disso, de reduzir a resistência das vias aéreas. 

Também tem como objetivo melhorar a oxigenação e repousar a musculatura respiratória.

Qual é o tratamento farmacológico da crise asmática severa?

A crise asmática severa deve ser tratada com antibioticoterapia, broncodilatadores (b2-agonistas e brometo de Ipratrópio) e corticóides.

Indicações de Suporte Ventilatório na Crise Asmática

Os critérios clínicos são os melhores, tais como exaustão muscular progressiva; parada respiratória ou bradipneia acentuada; parada cardíaca e alteração do sensório (letargia ou agitação). 

Por sua vez, a acidose respiratória inicial isolada não é indicada.

Os cuidados com a Intubação Traqueal

Há risco de piora do broncoespasmo. O Propofol tem efeito broncodilatador e provoca rápido despertar e a Ketamina tem efeito broncodilatador.

As recomendações pós-Intubação Traqueal

As recomendações pós-intubação traqueal incluem ventilar manualmente com frequência respiratória superior a 10 ipm e leves insuflações. Quando a hipotensão arterial persiste, o pneumotórax deve ser excluído.

Hipoventilação com baixo volume corrente e baixa frequência respiratória

A hipoventilação com baixo volume corrente e baixa frequência respiratória foi usada em 34 episódios de crise asmática quase fatal nos anos 1980, sem qualquer ocorrência de óbito ou barotrauma. 

Provocou acidose respiratória por Hipercapnia controlada. Desde então, o método é adotado em casos de doenças obstrutivas.

Programação para atendimento em caso de crise asmática

Para atendimento em caso de crise asmática severa, primeiramente, deve-se sedar o paciente. Nesta etapa, os medicamentos indicados são midazolan, propofol, fentanil e ketamina. Recomenda-se evitar o curare. 

Em seguida, o repouso muscular respiratório acontece no intervalo de 24 a 48 horas. 

Posteriormente, a escolha do modo ventilatório (VCV ou PCV) deve ser feita.

Redução de complicações

Para que ocorra a redução de complicações, deve-se evitar os seguintes quadros: 

  • Pressão de pico maior que 50 cmH20; 
  • Pressão de platô maior que 30 cmH2; 
  • Volume minuto elevado (< 110ml/Kg ou < 10L/min) 
  • Auto-Peep maior que 15 cmH2O

Auto-Peep: papel da Peep externa

O ciclo espontâneo facilita a contração isométrica inspiratória. Reduz limiar de disparo inspiratório e o trabalho respiratório

Deve-se titular a peep de acordo com o conforto do paciente e com a redução tanto da frequência respiratória como do uso de musculatura acessória.

Complicações

Dentre as principais complicações causadas por crise asmática destacam-se o barotrauma, complicação frequente e temida; miopatia ou tetraparesia flácida; hipotensão e às vezes choque devido ao aumento da pressão intratorácica e da auto-Peep, hipovolemia ou venoplegia causada pela sedação e curarização.

Os benefícios do uso do Sulfato de Magnésio Endovenoso na crise de asma

O uso do Sulfato de Magnésio Endovenoso produz efeitos como relaxamento da musculatura, melhora da função pulmonar e redução da admissão hospitalar. É especialmente benéfico em casos de pacientes com VEF1 menor que 20%.

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Ventilação Não-Invasiva por Máscara Nasal e Facial

Um estudo prospectivo, randomizado e placebo-controlado realizado em 2003 analisou 15 pacientes para grupo BIPAP e 15 placebo em departamento de emergência.

Verificou-se melhora funcional (VEF1) maior no grupo BIPAP. A porcentagem de hospitalização foi de 17,6% no grupo BIPAP e 62,5% no grupo controle.

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